Resenha de “O lobo atrás da porta” por Juliana Ferreira

Resenha de “O lobo atrás da porta” por Juliana Ferreira

“O lobo atrás da porta” foi lançado em 2013, escrito e dirigido por Fernando Coimbra e 

conta a história de um caso criminal ocorrido em 1960, o qual é conhecido como o caso da fera da Penha, onde uma mulher (de nome Leila) assassinou uma criança de 4 anos após ter um envolvimento extraconjugal com um homem casado (pai da criança). O crime chocou o Brasil na década de 60.

O filme mostra o desenvolvimento de uma investigação feita pelo delegado (Juliano Cazarré) onde Clarinha de 6 anos, filha do casal Bernardo (Milhem Cortaz) e Sylvia (Fabíula Nascimento), foi sequestrada na escola e seus pais pediram ajuda à polícia para encontrá-la. É na investigação que o pai, Bernardo, assume ter um caso extraconjugal com Rosa (Leandra Leal) e afirma que ela seria a culpada pelo sumiço de sua filha. O desenrolar do filme começa após o interrogatório da amante, que faz o que parecia claro ficar confuso após suas mentiras faladas com tanta calma e seriedade. 

O enredo do drama causa confusão aos espectadores ao mostrar a parte da história contada por cada um, onde Rosa diz ter apenas buscado a criança e entregado a garota para uma mulher, e o público permanece com a sensação de não saber o que é mentira e o que é real, uma vez que as histórias foram moldadas para inocentar-se do crime cometido. Após o cansaço e irritação do delegado, é mostrado o plano quase perfeito de Rosa, de infiltrar-se na família e se aproximar de Sylvia e de sua filha para conseguir assassinar a criança, revelando o verdadeiro lobo nessa caça de rato e gato. 

O filme possui muitos pontos positivos, o principal é por nos fazer sentir dentro da trama, sem saber qual lado da história é real e nos dando curiosidade sobre quem seria o criminoso, nos apresentando um grand finale chocante. A atuação nos faz sentir como se fôssemos nós passando pelas mesmas raivas e angústias, um ponto negativo é a ausência de trilha sonora, a qual faria uma grande diferença na narrativa. 

Quando discutido na sala de aula, a crítica sobre o filme recebeu mais pontos positivos do que negativos, discutimos sobre as obras nacionais e como o filme mudou nossa perspectiva sobre os filmes produzidos no Brasil. Foi bastante comparado as relações entre a obra e o verdadeiro caso e sobre como houve uma certa romantização da personagem que interpreta a assassina, mostrando o sofrimento vivido com Bernardo e como tudo que ela fez de certa forma foi “culpa dele”. 

“Afirmou ainda que não está interessada em saber o que lhe vai acontecer, que não quer advogado, e nenhum meio de defesa, pois tem consciência da responsabilidade dos seus atos e não deseja o perdão de ninguém, e não mais disse”.